Sempre pensei em aproximar a família dos utentes onde faço voluntariado. Aliás, um dos meus objectivos era que as famílias participassem em algumas actividades e em nalgumas datas comemorativas.
Como é do conhecimento de todos, os idosos são muitas vezes esquecidos e abandonados, em lares, centros de dia e hospitais. Ouvimos muitas histórias de abandono...infelizmente.
No último seminário que assisti "O lugar do idoso na sociedade", surgiu um tema em que nunca tinha reflectido...Será bom para o idoso, aproximar a família de si? Será bom para a família aproximar o idoso de si?
Sempre pensei que sim, como a maioria das pessoas, mas a verdade é que se existe um afastamento, é porque alguma coisa falhou. Terá sido o(a) idoso(a) um bom pai ou uma boa mãe? Parafraseando uma oradora que participou no mesmo seminário "Nos últimos anos, olhávamos para o Pinochet, e víamos um velhinho, cheio de rugas com a sua mantinha aos quadradinhos por cima das suas pernas, e no entanto esse velhinho foi um grande maroto em toda a Humanidade."
Antes de tentar aproximar as famílias, há que investigar o que realmente aconteceu para esse afastamento. Se ambos sofrerem com o afastamento, aí sim...devemos intervir.
E que sentimentos poderão advir no idoso, ao sentir a presença do filho(a) apenas no Natal? Ou em outra data comemorativa? E o resto do ano? Porque não foram visitá-los?
Não devemos forçar a família a nada, pois poderemos estar a contribuir para sentimentos menos bons, tanto para a família como para o idoso.
Resta-nos apenas contribuir para a sua felicidade e para o seu bem-estar, de forma a que ele(a) se sinta confortável até ao resto dos seus dias.
