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domingo, 8 de novembro de 2009

O idoso e a familia

Sempre pensei em aproximar a família dos utentes onde faço voluntariado. Aliás, um dos meus objectivos era que as famílias participassem em algumas actividades e em nalgumas datas comemorativas.
Como é do conhecimento de todos, os idosos são muitas vezes esquecidos e abandonados, em lares, centros de dia e hospitais. Ouvimos muitas histórias de abandono...infelizmente.
No último seminário que assisti "O lugar do idoso na sociedade", surgiu um tema em que nunca tinha reflectido...Será bom para o idoso, aproximar a família de si? Será bom para a família aproximar o idoso de si?
Sempre pensei que sim, como a maioria das pessoas, mas a verdade é que se existe um afastamento, é porque alguma coisa falhou. Terá sido o(a) idoso(a) um bom pai ou uma boa mãe? Parafraseando uma oradora que participou no mesmo seminário "Nos últimos anos, olhávamos para o Pinochet, e víamos um velhinho, cheio de rugas com a sua mantinha aos quadradinhos por cima das suas pernas, e no entanto esse velhinho foi um grande maroto em toda a Humanidade."
Antes de tentar aproximar as famílias, há que investigar o que realmente aconteceu para esse afastamento. Se ambos sofrerem com o afastamento, aí sim...devemos intervir.
E que sentimentos poderão advir no idoso, ao sentir a presença do filho(a) apenas no Natal? Ou em outra data comemorativa? E o resto do ano? Porque não foram visitá-los?
Não devemos forçar a família a nada, pois poderemos estar a contribuir para sentimentos menos bons, tanto para a família como para o idoso.
Resta-nos apenas contribuir para a sua felicidade e para o seu bem-estar, de forma a que ele(a) se sinta confortável até ao resto dos seus dias.

domingo, 9 de agosto de 2009

Um pouco da Dona A.

Já conversei com a maioria dos utentes e deixem-me dizer que tenho simplesmente amado.Há uma grande necessidade de conversar. Todos esperam por mim naquele dia e àquela hora.
Hoje apenas queria falar da Dona A.
A Dona A. tem 91 anos e sabe ler. É a utente mais velha e é a única que sabe ler. É muito velhinha é verdade...as suas rugas e a sua força fragilizada fazem prova do seu grande desgaste fisíco.
É muito crente e leva os dias a ler orações. Lê e relê...são sempre as mesmas. Já pedi entretanto à minha sogra novas orações para a D. A.
Quando lhe perguntei o que gostaria de fazer, ela respondeu com a sua voz muito trémula: Passear e ir à missa. Respondeu-me também que não consegue fazer nada, e fazer para quê? Está cansada de viver. Está cansada dos seus dias. Está cansada de ter dores.
Consigo o seu andarilho acompanha-a. É preciso muita força para conseguir arrastá-lo o que lhe consome a restante força dos seus pequenos e frágeis braços carregados de dor.
Vou levá-la à missa. Não sei ainda quando, pois não consigo sozinha. Mas se é um dos seus desejos, então...será realizado.
Tenho pensado muito nas minhas avós, e sinto muitas saudades delas.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Depois de uma vida vivida


chega a altura de fazer uma análise de tudo o que se viveu. O bom e o mau, as alegrias e as tristezas, as frustações e as desilusões. Tudo agora é sentido com muita intensidade num misto de tristeza, solidão e incapacidade.

Para se fazer um bom trabalho com um grupo de idosos ou qualquer outra população-alvo, é necessário estabelecer laços de forma a que o idoso consiga passar para nós o que lhe vai na alma e aí sim...poderemos fazer um bom trabalho.

Vejo nos meus velhinhos que atrás daquele olhar triste, daquela solidão e afastamento há uma dor muito grande...preciso de estratégias e de tempo para conseguir dar-lhes a paz que precisam.

O olhar...diz tudo e não posso deixar passar ao lado.