terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sempre a aprender...


Por muito que se possa interpretar mal, o acto de chorar, na realidade, constitui um importante suporte físico e emocional para os seres humanos. Isto porque se acredita que, chorar permite libertar tensões acumuladas e sentimentos atrofiados que, de outra forma, não se libertariam.

Em regra, os homens choram menos do que as mulheres por possuírem menos prolactina do que elas e por razões culturais que lhe estão associadas. Como a glândula lacrimal produz aproximadamente 500 ml de lágrimas num ano, talvez os homens acumulem substâncias desnecessárias no seu organismo!


A título de curiosidade, as lágrimas são constituídas por: água, muco, lipídios, proteínas, magnésio, potássio, enzimas anti-bacterianas, entre outros nutrientes. A sua composição pode ser alterada quando são desenvolvidas nos momentos de choro, apresentando-se, por exemplo, ricas em manganês. O ser humano é a única espécie de seres vivos com capacidade de chorar, pelo que, o evento está directamente relacionado com o nosso instinto de defesa e comunicação. Atendendo a este último facto, basta verificar o choro do bebé e perceber que nos transmite sensações de algo que não está bem. De um modo geral, o choro pode acarretar sentimentos diversos, onde se pode incluir a tristeza, a dor física, a indignação, a insegurança, o medo e também sensações agradáveis como uma alegria ou uma explosão de felicidade. Eis pelo que o choro nem sempre é negativo, nem sequer um reflexo de que algo está mal ou é prejudicial à saúde.

Saiba que, cerca de 75% dos homens e de 85% das mulheres manifestam uma sensação de melhoria após o choro e, isso não é por um acaso, pois em determinadas situações, o nosso cérebro produz certas substâncias, como a prolactina, que activam a acção das glândulas lacrimais e provocam o choro mesmo sem um motivo detectado, muito embora, exista sempre uma razão para tal secrecação. Quando as concentrações aumentam, em momentos de stress, reduz-se novamente a sua quantidade e começamos a chorar; tal como a adrenalina baixa os seus valores. Neste sentido, aliado à libertação de substâncias como a leucina-encefalina, noradrenalina e serotonina, somos invadidos por uma agradável sensação anestésica e de calma, aliviando a angústia e libertando as tensões. Reprimir-se em momentos adversos pode fazer com que o indivíduo, em longo prazo, desenvolva quadros de depressão; ou mesmo doenças psicossomáticas. Associados a esta acumulação lacrimal, estão a hipertensão arterial, as úlceras ou gastrites.

No caso das crianças, quando estas são educadas para reprimir o choro, já que muitos pais assim o decretam por incómodo, ou por regras excessivas, estas acabam por inibir a sua componente afectiva e equilíbrio emocional no futuro, já que o acto de chorar passa a ser encarado como uma fraqueza que tem que ser punida e ultrapassada. Muitas vezes, os homens recebem este tipo de orientação e sabemos as suas consequências no tempo. Ao mesmo tempo, é preciso incluir a ideia de que, nem sempre o choro é um reflexo de algo natural e humano, pois são muitas as pessoas que se "servem" das lágrimas para chamar à atenção e para aplicar estratégias de chantagem. Esta situação passa a ser muito mais comum na terceira idade e, em certas formas de educação, na infância. Para que se certifique da veracidade deste acto, quando manipulado ou não, importa ter algum conhecimento prévio da pessoa e das suas atitudes.

Quando educar uma criança, deixe-a chorar quando esta sentir essa necessidade, pois assim não o fará por chantagem ou como jogo emocional. Nos idosos, poderá ser uma boa forma de se conformarem com a vida e com o próprio envelhecimento, pois isso, se não ceder aos mínimos chamados, estará a permitir que chore e que alivie as tensões acumuladas. Já sabe que, tudo depende da sua acção e da forma como encara o choro, pois se tudo fizer para o parar, será mais facilmente influenciado. Lembre-se do quão é fácil reconhecer umas "lágrimas de crocodilo"! Filipa Carneiro

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